terça-feira, 24 de novembro de 2009

Uma a Mais!

          Gelado, alheio, estranho, grande. E lá no canto a cama. A passos curtos vou invadindo o quase vazio do quarto, os pés parecem flutuar numa vagareza desesperadora. Ao fundo o verde desbotado da parede perde pela graça daqueles olhos, que mesmo embaçados ainda estão vívidos. Ao aproximar vejo o lençol repousado intacto, nenhum sinal de movimento, como se tivesse sido deixado ali pelo vento e simplesmente se confortado e permanecido.

          Ao me ver despistou a vista para o lado oposto, descansou as pálpebras brancas e expirou o ar sem sequer um mísero ruído. Era o susto que eu repudiava e ele encenava com covardia disfarçada em heroísmo. Continuei...

          Em longos e segredados segundos fui chegando. Primeiro o toque delicado nos cabelos desorganizados. Um cafuné de seda que vai deslizando e puxando minha face pra perto. A outra mão trás de volta o queixo que se encostava nos ombros. Um cheiro no pescoço que sobe até a orelha e segue pro lado direito. Sinto, agora, a textura daquela barba mal-feita e logo me encontro nariz com nariz. Os olhares com a profundidade de um abismo entorpecia ambos. Dos meus cai uma lágrima que limpa e clareia aqueles verdes abrindo passagem pra tudo que há por dentro. Então, a troca! Num suspiro coordenado se fecham.

          Todos os átomos do meu corpo se agitam e cantam em uníssono, por todos os poros sai o que eu não transpiro perto de outro, a saliva me permite degustar a respiração quente. Entrego tudo que há de mim, o que na verdade sempre foi dele e guardo para devolver a cada visita... Empurro: pra lá! E ao abrir as portas novamente vejo o que ainda tenho dele: o sorriso inocente e indecente.

          Pisco. Acaba-se o furor. A calma reina. Dou um beijo terno na testa suada, toco mais uma vez aqueles lábios secos e vou me afastando lentamente deixando no tato a promessa da volta.

          Ando de costas para a saída, dando ré, recomeçando ou vendo tudo de trás para frente. Sinto-me pesada. Levo comigo mais dor, mais pesadelos, mais desespero, mais traumas, mais desapego, mais descrença, mais... mas, troco tudo outro vez!

          Passo pela porta. Tranco e pego a chave que, se não fosse por um mero detalhe do pingente não se saberia que era ali onde eu guardava o meu amor, meu eu, meu.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Conselho...

Compre um vinho barato...
Pegue chocolate meio-amargo...
Tranque-se com seus companheiros num lugar escuro e tranquilo...
Acenda um incenso de canela...
Coloque "I want you (The Beatles)" no último volume...

...e...

...deixe sua imaginação fluir!


Depois, conte-me tudo!

Ai! Ui...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Filosofia Barata.

Felicidade é o momento.

Aprendi que o AGORA é muito mais importante que o NUNCA ou o SEMPRE...

Obrigada...


"É bom olhar pra trás e admirar a vida que soubemos fazer
É bom olhar pra frente, é bom nunca é igual
Olhar, beijar e ouvir, cantar um novo dia nascendo
É bom e é tão diferente!
Eu não vou chorar, vc não vai chorar
Você pode entender que eu não vou mais te ver
Por enquanto, sorria e saiba o que eu sei: Eu te amo!
É bom se apaixonar, ficar feliz, te ver feliz me faz bem
Foi bom se apaixonar ? foi bom, e é bom e o que será?
Por pensar demais eu preferi não pensar demais  dessa vez
 
Foi tão bom e por que será?
Eu não vou chorar, vc não vai chorar
Ninguém precisa chorar mas eu só posso te dizer
Por enquanto, que nessa linda estória os diabos são anjos...
 
 
Eu não vou chorar, vc não vai chorar...
Você pode entender que eu não vou mais te ver
Por enquanto...
sorria e saiba o que eu sei: EU TE AMO!"  
 
 

é...

Por que pra sempre?
Por que se deseja o eterno?
Por que se prender ao previsível?
 
Amor não é assim...
Não sobrevive assim...
 
Seu alimento vem da intensidade...
Não da quantidade...
Sua beleza vem da qualidade...
 
De que adianta uma monotonia?
Um monólogo de zilhões de anos?
Pra que desejar inúmeras transas por dia?
Se posso ter um só beijo...
 
Um beijo que arde...
Que protege...
Que segura...
Que liberta...
Que faz o paradoxo ter sentido...
 
O interior é que faz presente...
O material perde... torna impotente...
O momento é que causa o riso...
Que transforma os hormônios em ditadores...
 
O que vale é o aqui e agora...
O depois o tempo trás... sem a pressa que apavora...
 
Se vier... simplesmente veio...
Se acontecer ou não...
É como pretensão...
 
O X é a escolha...
A resposta é variável...
Só depende da sua imaginação...
Da criatividade de acreditar que...
Amor não é... nem está...
Não existe...
Só VIVE...
 

Peguei emprestado...

"How I wish, how I wish you were here! 
 We're just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year...
Running over the same old ground... What have we found?
The same old fears... Wish you were here!"
 
"And if I could be who you wanted...
If I could be who you wanted...
All the time, all the time..."
"It's the heart, afraid of breaking,
That never, learns to dance.
It's the dream, afraid of waking,
That never, takes the chance.
It's the one, who won't be taken,
Who cannot, seem to give.
And the soul, afraid of dying,
That never, learns to live."
"I don't care if it hurts,
I want to have control,
I want a perfect body,
I want a perfect soul,
I want you to notice,
When I'm not around,
You're so fucking special,
I wish I was special.
But I'm a creep, I'm a weird.
What the hell am I doing here?
I don't belong here..."
"Mas quando eu estiver morto,
suplico que não me mate não,
Dentro de ti, dentro de ti...
Mesmo que o mundo acabe enfim...
Dentro de tudo que cabe em ti..."
 
 
"You're out on the streets looking good,
And baby deep down in your heart I guess you know that it ain't right,
Never, never, never, never, never hear me when I cry at night, 
Babe, I cry all the time! 
And each time I tell myself that I, well I can't stand the pain, 
But when you hold me in your arms, I'll sing it once again. 
I'll say come on, come on, come on, come on and take it! 
Take it! Take another little piece of my heart now, baby. 
Oh, oh, break it! Break another little bit of my heart now, darling, yeah! 
Oh, oh, have a! Have another little piece of my heart now, baby, 
You know you got it, child, if it makes you feel good."
 
"And when you walk around the world, baby,
you said you´d try to look for the end of the road,
you might find out later that the road´ll end in Detroit,
honey, the road´ll even end in Kathmandu.
You can go all around the world,
trying to find something to do with your life, baby,
when you only gotta do one thing well,
you only gotta do one thing well to make it in this world, baby.
You got a woman waiting for you there,
all you ever gotta do is be a good man one time to one woman,
and that´ll be the end of the road, baby.
I know you got more tears to share, baby,
so come on, come on, come on, come on, come on,
And cry, cry baby, cry baby, cry baby."

"Here you gone today, but I wanted to love you,
I wanted to hold you, yeah, till the day I die,
Till the day, till the day,
Yeah! hey! hey! all right!"

"Well, the fevers of the night,
they burn an unloved woman.
Yeah, those red-hot flames try to push old love aside.
A woman left lonely,
she’s the victim of her man, yes she is.
When he can’t keep up his own way, good Lord,
She’s got to do the best that she can, yeah!
A woman left lonely, Lord, that lonely girl!"
 
 
 

Mas não vou devolver...

"Somos, se pudermos ser ainda...
Somo donos do que hoje não há mais...
Ouve o que houve e o que escondem em vão...
Os pensamentos que preferem calar...
Senão irá nos ferir o não,
Mas quem não quer dizer tchau?"
 
"Temos dois lados, pois temos frente e verso
Me queira inteiro assim te imploro e peço
Sou mais que o avesso, sou seu fogo, seu forro, seu ferro
E eu te engulo..."
"A gente pensa que escolhe!
Se a gente não sabe inventa..."
"Corre a lua porque longe vai,
sobe o dia tão vertical,
o horizonte anuncia com seu vitral
que trocaria a eternidade por esta noite!
Por que está amanhecendo?
Peço o contrário ver o sol se por...
Por que está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for..."
"E por isso voltou
Pra quem sempre amou
Mesmo levando a dor daquela mágoa.
Mas segurando a sua mão
Sentiu sorrir seu coração
E amou-o como nunca havia amado..."
"Eu te espero vem
Siga aonde vão meus pés
Porque eu te sigo também!
E eu te amo!
Diga que você me quer,
porque eu te quero também!"
 
"E agora como posso te perder?
Se o teu corpo ainda guarda o meu prazer?
E o meu corpo foi marcado pelo seu...
Espero que o tempo passe...
Espero que a semana acabe,
pra que eu possa te ver de novo...
Espero que o tempo voe,
e que você retorne...
Pra que eu possa te abraçar e te beijar de novo..."
"Se você olhar vai ver
que tudo está errado
pois ao seu lado
não existe um lugar para mim..."
"I wait for you 
Sleight of hand and twist of fate 
On a bed of nails she makes me wait 
And I wait....without you..."
"Every night, destroying my dreams 
I'm crying and try to escape 
Cause the pain is unbearable 
When you close 
The door behind you 
I stay alone with my shattered 
Dreams and all the pain..."
"Eu tive que ir embora
mesmo querendo ficar...
Agora eu sei...
Eu sei que eu fui embora
E agora eu quero você de volta pra mim..."
 
 
 
Agora é tudo meu!
 
 
 


sábado, 12 de setembro de 2009

Só pra mim!



 - Mãe, quantas horas?
 - Seis ainda, minha filha. Calma.
Ela ficava ali, no sofá. Sentadinha com as mãos repousadas sobre as pernas cruzadas.
Malditos minutos que nunca passavam... Até que ouvia o ronco de longe.
- Eba! Papai está chegando!
Quando ele apontava na esquina, a serelepe já estava com o portão aberto.
- Pai, anda logo! Demorou pra chegar.
- Que desespero! Eu estava trabalhando.
- Entra e vai tomar banho que vou ficar esperando aqui de fora. (cara fechada e mãos na cintura)
Tic-tac...
- Meu pai tem mais corpo que qualquer pessoa. Banho eterno o dele.
Quarenta minutos depois ele vem.
De bermuda, camisa abotoada até o meio. Um tênis sem amarrar e cabelos penteados.
Ah! O perfume... Aquele cheiro do pai que ela nunca vai esquecer!
- Vamos?
- Claro! Tchau, mãe! Beijo!
Num pulo ela sobe na moto. Ela adora apertar aquela barriga, e nem é por segurança. A velocidade que faz o vento bater no rosto faz com que ela se sinta nas núvens. Papai veloz!
No mesmo pulo ela desce.
Era o buteco de sempre. O Seu Juquinha, velho de cabeça branca, espera na porta. Os braços sempre abertos pra ela.
- Princesa! Cade meu abraço?
- Upaaaa!
- Seu banquinho está lá. Bem do jeito que você deixou.
- Ainda bem! Ele é só meu.
Depois de alguns cumprimetos o pai senta, pede o copo e ela vai correndo pro balcão.
Lá atrás o banquinho estacionado à direita, ao lado do caixa. Corre e senta.
Esfrega as mãos e aperta os olhinhos!
Aquele era um dos dias especiais. Tinha chegado mercadorias.
Ah! Ela se esbalda!
Salgadinho crocante. Pipoca doce do saquinho cor-de-rosa. Bala-chita. Chiclete Power Ranger. Pirulito "Dipnlik" sabor cereja. Laka. Confete. Jujuba. Palitinho que virava helicóptero (por falta de coordenação motora ela se machucava com as hélices).
Tudo isso era rotina. Tinha ordem. Quando faltava algo era um desastre. Motivo pra mau-humor.
Só que o maior dos prazeres era guardado pro final.
Era a caixa vermelha com o "Mussum" na capa.
Os cigarrinhos de chocolate que ela comia com tanto "glamour"!
O cigarro do pai era diferente. O dela era melhor! E como era...
Comia todos que aguentava. E, claro! Tinha o ritual da mãozinha pro lado e a expressão hollywoodiana!
Tudo  aquilo era muito infantil, ingênuo, mas fazia parte daquele mundo pequeno.
Lá pelas tantas, empanturrada, despedia-se e antes de ir ainda carregava mais uma caixinha vermelha e uns saquinhos de chiclete-mini coloridos. Gostinho de quero-mais pra esperar a noite seguinte.
Voltava agarrada ao pai.
Chegava em casa, a mãe zangava pelo horário.
O sorriso permanecia intacto.
Infância!
Saudade!
Pai...
Amor...