sábado, 12 de setembro de 2009

Só pra mim!



 - Mãe, quantas horas?
 - Seis ainda, minha filha. Calma.
Ela ficava ali, no sofá. Sentadinha com as mãos repousadas sobre as pernas cruzadas.
Malditos minutos que nunca passavam... Até que ouvia o ronco de longe.
- Eba! Papai está chegando!
Quando ele apontava na esquina, a serelepe já estava com o portão aberto.
- Pai, anda logo! Demorou pra chegar.
- Que desespero! Eu estava trabalhando.
- Entra e vai tomar banho que vou ficar esperando aqui de fora. (cara fechada e mãos na cintura)
Tic-tac...
- Meu pai tem mais corpo que qualquer pessoa. Banho eterno o dele.
Quarenta minutos depois ele vem.
De bermuda, camisa abotoada até o meio. Um tênis sem amarrar e cabelos penteados.
Ah! O perfume... Aquele cheiro do pai que ela nunca vai esquecer!
- Vamos?
- Claro! Tchau, mãe! Beijo!
Num pulo ela sobe na moto. Ela adora apertar aquela barriga, e nem é por segurança. A velocidade que faz o vento bater no rosto faz com que ela se sinta nas núvens. Papai veloz!
No mesmo pulo ela desce.
Era o buteco de sempre. O Seu Juquinha, velho de cabeça branca, espera na porta. Os braços sempre abertos pra ela.
- Princesa! Cade meu abraço?
- Upaaaa!
- Seu banquinho está lá. Bem do jeito que você deixou.
- Ainda bem! Ele é só meu.
Depois de alguns cumprimetos o pai senta, pede o copo e ela vai correndo pro balcão.
Lá atrás o banquinho estacionado à direita, ao lado do caixa. Corre e senta.
Esfrega as mãos e aperta os olhinhos!
Aquele era um dos dias especiais. Tinha chegado mercadorias.
Ah! Ela se esbalda!
Salgadinho crocante. Pipoca doce do saquinho cor-de-rosa. Bala-chita. Chiclete Power Ranger. Pirulito "Dipnlik" sabor cereja. Laka. Confete. Jujuba. Palitinho que virava helicóptero (por falta de coordenação motora ela se machucava com as hélices).
Tudo isso era rotina. Tinha ordem. Quando faltava algo era um desastre. Motivo pra mau-humor.
Só que o maior dos prazeres era guardado pro final.
Era a caixa vermelha com o "Mussum" na capa.
Os cigarrinhos de chocolate que ela comia com tanto "glamour"!
O cigarro do pai era diferente. O dela era melhor! E como era...
Comia todos que aguentava. E, claro! Tinha o ritual da mãozinha pro lado e a expressão hollywoodiana!
Tudo  aquilo era muito infantil, ingênuo, mas fazia parte daquele mundo pequeno.
Lá pelas tantas, empanturrada, despedia-se e antes de ir ainda carregava mais uma caixinha vermelha e uns saquinhos de chiclete-mini coloridos. Gostinho de quero-mais pra esperar a noite seguinte.
Voltava agarrada ao pai.
Chegava em casa, a mãe zangava pelo horário.
O sorriso permanecia intacto.
Infância!
Saudade!
Pai...
Amor...

3 comentários:

  1. ôxi!
    q graça! q saudade!
    adorei a narrativa... q criança fofa!
    hehehe

    :)

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  2. kiwiiiii

    http://letras.terra.com.br/the-beatles/281/traducao.html

    lembrei da gente!
    lembrei da foto do woodstock
    :D
    eu vc e may em outra vida!
    kkkkkkkkkkkkkk

    ;**

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